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Fim da Era dos Alimentos Baratos: Pressões Climáticas e de Custo

Financial Times Companies •
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Os alimentos permanecem relativamente baratos em nações desenvolvidas, representando apenas 10% dos gastos dos lares britânicos, mas os agricultores de todo o mundo enfrentam pressões crescentes que podem acabar com a era dos alimentos baratos. O clima extremo no hemisfério norte — incêndios florestais na Europa e a pior colheita em décadas para os produtores britânicos, segundo a National Farmers’ Union — sinaliza uma interrupção impulsionada pelo clima. Um forte El Niño ameaça a agricultura na América do Sul, África e Ásia, enquanto pesquisas respaldadas pelo BCE estimam que os choques climáticos podem adicionar entre 0,9 e 3,2 pontos percentuais à inflação alimentar global anual até 2035, elevando a inflação geral entre 0,3 e 1,2 ponto.

Os agricultores dos EUA preveem sua pior queda em 40 anos devido à guerra que aumentou os custos de combustível e fertilizantes, enquanto o aumento dos custos de mão de obra agrava a baixa rentabilidade. Analistas da UBS alertam que a inflação alimentar permanecerá estruturalmente acima da média histórica de 2,5%, afetando mais de 100 empresas listadas — beneficiando fabricantes de equipamentos como a sueca Alfa Laval, mas prejudicando varejistas e hotéis como Next e Accor. Preços mais altos dos alimentos podem estimular demandas salariais, forçando os bancos centrais a elevar as taxas, vinculando uma safra ruim no Brasil aos custos de hipotecas na França.

Essa mudança reflete o alcance econômico da IA ou dos medicamentos GLP-1, tornando a inflação alimentar uma preocupação em nível de portfólio.