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A reestruturação da dívida soberana precisa de regras de hierarquia de credores

Financial Times Markets •
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As crises de dívida soberana estagnam porque ninguém concorda sobre quem deve ser pago primeiro. Diferentemente dos regimes de insolvência doméstica com regras claras, o mundo da dívida soberana carece de um guia. Convenções informais entre instituições determinam o ranking dos credores, criando ambiguidade.

Certas instituições multilaterais, como o FMI, são presumidas como tendo status de credor preferencial e são pagas integralmente, enquanto os detentores de títulos na base sofrem grandes cortes. Porém, para muitos países, seus maiores credores são bancos multilaterais de desenvolvimento e credores bilaterais oficiais, onde as convenções sobre antiguidade são ambíguas. Essa ambiguidade torna as negociações de reestruturação mais longas e mais contentiosas, atrasando o alívio da dívida para os países endividados.

Tome a Zâmbia, por exemplo. Sua reestruturação de dívida — ainda não resolvida mais de cinco anos após o seu calote em 2020 — ficou presa em disputas sobre se o Afreximbank deveria ser tratado como um credor preferencial ou comercial. Perguntas semelhantes provavelmente surgirão na reestruturação da Venezuela.

Instituições como o FMI e fóruns como a Mesa Redonda Global da Dívida Soberana precisam codificar um quadro transparente. Esse quadro deve incorporar três princípios-chave. Primeiro, emprestadores de último recurso como o FMI devem permanecer fora das reestruturações de dívida para garantir futuros auxílios.

Segundo, o tratamento preferencial para outros credores oficiais deve depender dos termos do empréstimo, especificamente o grau de concessões concedidas nos preços. Terceiro, um critério transparente baseado nos termos de empréstimo concessionado sujeitaria todos os credores às mesmas regras, assegurando justiça e eficiência nas futuras reestruturações.