Os economistas costumam dividir os trabalhadores em categorias de colarinho branco e colarinho azul. Os trabalhadores de colarinho branco geralmente atuam em escritórios, em tarefas de serviços, conhecimento, gestão ou administração, enquanto os de colarinho azul realizam trabalhos manuais ou ofícios especializados. Os engenheiros de software há muito se consideram trabalhadores de colarinho branco, mas o autor questiona se essa suposição não esteve errada o tempo todo.
O autor argumenta que os desenvolvedores de software, assim como pedreiros, encanadores e eletricistas, fazem e consertam coisas. A diferença é que os desenvolvedores trabalham com bits em vez de átomos. Dominar o ofício exige anos de prática, o que torna o desenvolvimento um ofício especializado que merece mais reconhecimento, e não menos. O autor sugere que essa classificação equivocada pode estar alimentando a atual crise de identidade dos desenvolvedores diante da IA.
Os trabalhadores de colarinho azul geralmente se adaptaram bem às mudanças tecnológicas, muitas vezes aprendendo a operar novas ferramentas, como robôs de marcenaria. Já os trabalhadores de colarinho branco costumam sofrer a maior disrupção econômica causada por grandes inovações. Os engenheiros de software percebem agora que a tecnologia pode ultrapassar suas habilidades, assim como aconteceu com outros profissionais de ofícios.
O autor acredita que a lua de mel de 30 anos dos desenvolvedores de software chegou ao fim. Antes eles eram tratados como astros do rock, com tempo protegido, salários muito acima dos de seus pares e colegas que aceitavam suas estimativas sem questionar. Agora eles já não são as pessoas mais importantes da empresa. Assim como as costureiras diante do tear ou os lenhadores diante da motosserra, os desenvolvedores precisam aprender as novas ferramentas. Quem o fizer pode ficar bem, e alguns artesãos sempre continuarão trabalhando à mão porque gostam disso.
Fonte: Hacker News · Resumido por HeadlinesBriefing