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Fundador Burning Man: festival perdeu a alma

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Um dos três fundadores do Burning Man reflete sobre como o festival que ajudou a criar há 36 anos se transformou além do reconhecimento. Desde 1996, ele evita o Deserto de Black Rock, mas o interesse constante da mídia persiste. O Burning Man inicial era uma colaboração anárquica de iguais, conjurada por algumas centenas de pessoas longe do controle de qualquer um. Não havia ideologia oficial nem hierarquia — apenas um grupo sintonizado com seu momento. O evento de hoje é uma extravagância massiva e caleidoscópica para elites ocidentais e criativos de classe média. Os participantes podem comprar acampamentos de luxo com chefs particulares, voar em aviões fretados e contratar estilistas. Tornou-se uma escotilha de fuga comercializada — uma semana em que qualquer pessoa com dinheiro suficiente pode deixar sua vida real completamente para trás. A reunião original surgiu da cena punk-industrial de São Francisco, influenciada pelo Dada, surrealismo, os Beats e a Sociedade Cacofonia. Nunca foi pensado como uma fuga pronta, mas como uma zona autônoma temporária de criação e colaboração. O que se tornou deixa o fundador um pouco triste.

As raízes do festival remontam à Sociedade Cacofonia, um coletivo solto nascido do Clube do Suicídio, conhecido por pegadinhas e explorações urbanas. Esses grupos incorporavam o espírito anarquista que lançou o Burning Man à existência. Não havia como monetizá-lo então — era antagônico à estrutura e hierarquia. O conceito original era lindamente simples: pessoas se reunindo para criar.

Agora, o evento se apresenta como uma empresa artística séria baseada em princípios filosóficos, mas funciona como um carnaval para os abastados. O fundador não vai fingir que não é divertido, mas diz que é mal reconhecível do que fizeram.